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Boletim Eletrônico - SAESP

Todos devem lembrar-se de um caso recente, no qual um dos apresentadores de um programa de humor e política envolveu-se em uma grande confusão por causa de um comentário sobre uma cantora grávida.

A situação foi publicamente tão constrangedora que a emissora tratou logo de demiti-lo.

Apesar de o apresentador ter sido contratado por outra emissora, o caso tomou proporções nunca vistas e nos fez repensar um pouco sobre o senso de humor, de um modo geral.
 
Pois é, algumas pessoas têm o humor bastante desenvolvido; o que não possuem é bom senso.
 
Certamente cada um de nós conhece algum engraçadinho corporativo. É aquela pessoa que perde a promoção, mas não perde a piada.
 
Ela está no cafezinho, na copiadora, no almoxarifado, atrás de uma mesa de escritório ou pode ocupar até um cargo de liderança.
 
Com sua mente sempre esperta, tem uma frase impactante e provavelmente engraçada para cada situação.
 
Na maioria das vezes, alegra o ambiente, desde que seja assertivamente engraçado.
 
Mas, ao menos que você seja um publicitário, é bom ficar atento aos excessos de comentários e piadinhas para não perder a mão e acabar sendo considerado um "imbecil", ao invés de um profissional com humor aguçado e inteligente.
 
Não há nenhum problema em ser engraçado e enfrentar os problemas do dia a dia com bom humor. Herbert Lefcourt, um importante psicólogo da Universidade de Waterloo, no Canadá, acredita que a utilização do senso de humor positivo pode ajudar-nos a conviver com o estresse de maneira mais saudável.
 
O senso de humor positivo é aquele que nos leva a vivenciar uma experiência estressante com melhor descarga de tensão, ou seja, rimos enquanto sofremos para não acumularmos muita tensão em nosso organismo.
 
Sorrir torna-nos mais saudáveis, no que se refere aos aspectos físico e mental, pois conseguimos encarar uma situação estressante de uma maneira menos ameaçadora e, consequentemente, transmitimos essa segurança aos demais.
 
O humor positivo é contagiante.
 
Entretanto, o bom senso é primordial para que exista esse tipo de humor positivo, saudável e revigorante e não o tipo de humor inconveniente, negativo e até criminoso!
 
Cuidado!
 
O senso de humor negativo é justamente aquele que não prima pelo bom senso.
 
É aquele tipo de humor que adora atacar grupos temáticos: pessoas gordinhas, homossexuais, grupos étnicos, mulheres, determinadas classes sociais, etc.
 
É o humor que humilha e denigre enquanto sorri!
 
Normalmente, pessoas que apelam para esse tipo de humor possuem questões psicológicas muito mal resolvidas.
 
Podem ter sido humilhados na infância, não ter recebido afeto suficiente dos pais, possuírem autoimagem negativa ou simplesmente terem sido mal educadas.
 
Tudo o que falamos sobre alguém ou sobre determinada situação, e a forma com a qual nos expressamos, revelam muito mais sobre nós mesmos do que sobre os outros.
 
Contudo, o famoso "sem noção" do escritório pode ser acusado – com razão – de crimes de preconceito racial e assédio, entre outros.
 
Existe um movimento mundial para instaurar conceitos daquilo que é considerado politicamente correto em diversos segmentos e organizações.
 
Processos criminais relativos ao ambiente de trabalho, que antes víamos apenas em filmes norte-americanos, começam a ter popularidade, cada vez mais, em terras brasileiras também.
 
Se você é daquele tipo que acha o politicamente correto um porre, fique atento!
 
Há uma tendência global, pelo menos no Ocidente, para que as diferenças sejam respeitadas e consideradas partes integrantes da mesma sociedade.
 
Uma das maiores capacidades humanas é a de adaptação. Muitas vezes, os seres humanos foram forçados a adaptarem-se às mais extremas situações para não serem exterminados.
 
No que diz respeito ao ambiente corporativo brasileiro, a condição é a mesma: ou o profissional adapta-se ou poderá ser descartado e na pior das hipóteses, até processado, semelhante ao que aconteceu ao nosso humorista mencionado no começo deste texto – pois, com as novas mudanças comportamentais, pouca gente optará por aturar piadinhas e comentários maldosos.
 
Por isso, saia na frente e utilize o bom senso mesmo quando for tentar ser engraçado. Mais do que engraçado, será inteligente, assertivo e poderá viver em paz!
 
Caso contrário, suas piadas fantásticas podem virar uma grande dor de cabeça... para você.
 
Reflita.
 
      

 

Por Andréa Araújo – Psicóloga
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