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Boletim Eletrônico - SAESP

O termo "estresse" tornou-se tão comum nos dias atuais que podemos observá-lo até no vocabulário de crianças. "Stress" (em inglês) foi tomado por empréstimo da Física e a idéia original é semelhante a "fio prestes a arrebentar".
 
Para simplificarmos a conceituação em torno do termo – e de como chegamos à atual – é melhor pensarmos o estresse como nossa reação instintiva e natural à estímulos intensos que nos parecem ameaçadores.

Diante do perigo (real ou imaginário), nosso organismo entra em ação para lutar ou fugir.
 
Em apenas sete segundos, nossa pressão arterial e batimentos cardíacos aumentam e podemos perceber a aceleração da respiração.
 
Se ficarmos com medo, o sangue é bombeado para o centro do organismo e as extremidades (pés e mãos) ficam frias.
 
Se ficarmos com raiva, as extremidades esquentam pois instintivamente precisamos partir para o combate.
 
Em ambos os casos, a sensação de fome desaparece e a produção de glóbulos brancos diminui.
 
Esse processo foi desenvolvido pelos homens primitivos que dependiam da caça (ou da fuga dela) para sobreviver e até hoje acompanha soldados em campos de batalha e lutadores de UFC, por exemplo.
 
Por isso, o estresse em sua essência não é algo negativo!
 
Em relação a nós, seres humanos da pós-modernidade, o estresse acaba tendo muito mais efeitos negativos que positivos.
 
A civilização domesticou parte de nosso estado selvagem, porém, nos ofereceu outras formas de ameaça.
 
Os animais pré-históricos foram substituídos por:
 

 

    • Competição acirrada no ambiente de trabalho;
    • Pressão por resultados em curtos e médios prazos;
    • Meios insatisfatórios de locomoção até o ambiente profissional;
    • Aquisição, manutenção e frustração em relação ao desempenho e status social;
    • Responsabilidades da vida adulta (emprego, família, prestações, etc.);
    • Dificuldade nos relacionamentos interpessoais, entre outros.

 
Se o estresse for acumulado e não encontrar formas adequadas de liberação, tornar-se-á crônico e o estado de alerta não será desligado.
 
Dessa maneira, ficaremos irritados, cansados mental e fisicamente em excesso, sem sono, irritados e com a sensação constante de que iremos explodir ou apagar.
 
Como quase ninguém consegue fugir dos efeitos do estresse o melhor a fazer é aprender a administrar seus diferentes níveis:
 
- Sinta seu corpo: costas doloridas, resfriados que vão e vêm, baixa imunidade, alteração de peso, ombros com a sensação constante de estar carregando o mundo sobre eles?
 
Fique atento aos sinais que o corpo dá, de que algo não está indo bem.
 
- Faça do alongamento físico um aliado: você já reparou como cães e gatos costumam se alongar continuamente?
 
Talvez você não consiga alongar-se durante as reuniões com os diretores da organização, mas é possível alongar-se antes e depois delas para aliviar um pouco a tensão que esse tipo de encontro acarreta.
 
- Tenha algum ritual de relaxamento: se você não nasceu para ser o mestre do yoga, procure outros rituais que lhe deem prazer, como ouvir música, ir ao cinema ou tomar banho de banheira, por exemplo.
 
Vamos lá, use a sua imaginação!
 
- Cultive o hábito de caminhar, correr, pedalar ou praticar algum outro exercício físico: além de queimar calorias, mantém a cabeça boa!
 
- Faça passeios que incluam contato com a natureza: fuja do concreto que o faz lembrar-se a todo instante do escritório.
 
Que tal uma voltinha no parque mais próximo? Além de respirar ar puro, é gratuito.
 
- Siga os bons conselhos de sua mãe: tome cuidados com a alimentação, mantenha o sono em dia e não abuse de medicamentos, álcool e outras drogas lícitas e ilícitas.
 
Esses fatores quando mal administrados, em longo prazo, cobrarão sua fatura!
 
- Tenha momentos de puro lazer: divirta-se!
 
- Aprimore suas habilidades para relacionamentos: nada de "eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim".
 
Não faça com que as pessoas tenham que exercitar a paciência com você.
 
Por sua vez, aqueles que sempre se fazem de bonzinhos também não têm vez neste mundo de individualismo.
 
Por isso, busque sempre o equilíbrio em suas relações.
 
Imponha com tranquilidade seus limites e respeite o limite dos outros.
 
- Aprenda a expressar de maneira adequada suas emoções: ninguém é obrigado a aguentar chiliques de quem quer que seja.
 
Inclusive, isso é muito mal visto no ambiente corporativo e seus parentes e amigos podem parar de convidá-lo para confraternizações.
 
Mesmo sob muita pressão e elevado nível de estresse, mantenha a boa educação e o bom senso.
 
E assim manterá também o emprego, a família e os amigos.
 
- Seja realista no planejamento de suas atividades: a semana tem 168 horas, por isso, não a planeje como se tivesse o dobro.
 
Calcule, dentro de uma perspectiva real, o que é possível ou não realizar.
 
Lembre-se que deve deixar espaço para dormir, alimentar-se, estudar, divertir-se, trabalhar, brincar com os filhos, namorar, entre outras coisas.
 
Gerenciar o tempo evita frustrações e a sensação negativa de que "eu não consigo gerenciar o meu tempo".
 
- Cure-se de seus "ditadores internos": nossos modelos familiares são aqueles que seguiremos a vida inteira – ou rejeitando ou repetindo-os – por isso, perceba o quanto a situação atual é o reflexo de construções mentais que não são realmente suas.
 
Invista em algum tipo de terapia para autoconhecimento e resoluções de conflitos internos.
 
- Transforme o seu quadro mental: não sofra por antecipação e se precisar de ajuda para conter a ansiedade, procure um médico.
 
- Cultive o senso de humor positivo em casa e no trabalho: não opte pelo humor politicamente incorreto, pois, preconceito, racismo e bullying são assuntos tão comuns e condenáveis atualmente quanto o estresse. Um sinal dos novos tempos é que o engraçadinho corporativo – tão bem aceito no passado – é passível até de processos nos dias de hoje. Evite mais estresse desnecessário.
 
Busque sempre extravasar o estresse em locais e de maneiras adequadas.
 
Assim, não somente você driblará seus efeitos negativos como não será fonte de estresse para ninguém.
 
Vamos tentar?
 
 
Por Andréa Araújo – Psicóloga
 
Avenida Moema, 622 – Moema – São Paulo – SP.
 
Fones: (11) 5891 9438 / (11) 8050 7709
 
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