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Boletim Eletrônico - SAESP

Embora a maioria da população aceite passivamente a redução da capacidade auditiva que parece vir com a idade, uma pesquisa realizada na USP mostrou que o treinamento melhora o processamento da audição em idosos.

A fonoaudióloga Renata Alonso estudou dois grupos de participantes, cuja faixa etária variava de 60 a 79 anos. Aqueles que receberam estímulos por intermédio de uma técnica constituída de tarefas acústicas apresentaram melhoras tanto nos processos auditivos quanto cognitivos.
 
O treinamento foi desenvolvido em cabine acústica, na qual os participantes eram expostos a uma variação de estímulos e tarefas auditivas.
 
Os resultados mostraram que o grupo que recebeu apenas estimulação visual – um grupo de controle, para comparação dos resultados – não apresentou nenhuma melhora significativa, nem auditiva e nem cognitiva.
 
O grupo de estudo, no entanto, demonstrou melhora no processamento auditivo, na avaliação cognitiva e nos potenciais eletrofisiológicos do ouvido.
 
A pesquisadora afirma que o treinamento é mais comumente utilizado em crianças e adolescentes porque esta é a população que mais procura esse tipo de tratamento.
 
Porém, o treinamento aplicado a idosos poderia melhorar a capacidade auditiva, o que implicaria em melhora da cognição da memória, da compreensão de fala e principalmente, teria um impacto benéfico na vida social destes.
 
Questões genéticas, doenças infecciosas e exposição prolongada a sons intensos estão entre as causas da dificuldade de ouvir.
 
O corpo humano é uma máquina perfeita e cada engrenagem trabalha em prol das funções essenciais para a sobrevivência.
 
O ouvido, por exemplo, é o principal elemento da audição, um importante sentido do organismo.
 
O órgão é formado por três partes - a externa, a média e a interna. "O ouvido externo é composto pela orelha, pelo canal auditivo e pela membrana timpânica. No médio estão os ossículos martelo, bigorna e estribo e a abertura da tuba auditiva e no interno está localizada a cóclea", explica a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães.
 
O ouvido capta as vibrações do ar, as transforma em impulsos nervosos e o nervo auditivo envia estas informações até o cérebro, que decodifica os sinais e interpreta os sons. Mas nem todos os indivíduos ouvem os sons perfeitamente devido à perda de audição.
 
A perda auditiva é classificada em leve, na qual o ouvido não é capaz de detectar sons abaixo de 40 decibéis e há dificuldade de compreender a fala humana.
 
"Na perda moderada, os sons abaixo de 70 decibéis não são ouvidos e há a necessidade de um aparelho ou prótese auditiva", afirma a médica.
 
Na perda auditiva severa o indivíduo não é capaz de ouvir ruídos abaixo de 90 decibéis - som um pouco abaixo do barulho de um aspirador de pó.
 
O aparelho auditivo nem sempre é suficiente para resolver o problema, sendo necessário o uso de linguagem gestual em alguns casos.
 
"O grau mais elevado de perda auditiva é classificado como profundo, quando não há capacidade para ouvir ruídos acima de 90 decibéis".
 
Para se ter uma idéia, o barulho de uma turbina de um avião atinge 100 decibéis. "Técnicas de leitura labial e gestos são usados para a comunicação", aponta.
 
As pessoas que são consideradas surdas possuem a perda auditiva severa ou profunda, ou seja, o indivíduo até pode detectar alguns sons, mas não é o suficiente.
 
Segundo Rita, a perda de audição pode ser causada por fatores como aspectos genéticos, causas congênitas, doenças infecciosas - entre elas rubéola, caxumba, sarampo e otite -, uso de medicamentos tóxicos ao ouvido e traumas acústicos.
 
"Há ainda a perda auditiva ocupacional, devido ao ambiente de trabalho ruidoso e a ausência de equipamentos de segurança que protegem os ouvidos e o envelhecimento", esclarece.
 
Na maioria dos casos a deficiência auditiva é gradual e indolor, impedindo o diagnóstico precoce já que a perda ocorre tão lentamente que o indivíduo nem percebe.
 
Por isso é importante ficar atento aos sinais que denunciam o problema de audição.
 
"Dificuldade para ouvir fontes de som que estão longe, como em uma reunião de trabalho e compreender a fala indicam que a saúde auditiva não está 100%. Além disso, o paciente desenvolve formas para ouvir melhor, como pedir a repetição do discurso, aumentar o volume de equipamentos de som ou direcionar a cabeça para os sons", ressalta. Quando houver a suspeita de perda auditiva é fundamental procurar um otorrinolaringologista.
 
O especialista irá solicitar exames que verificam o nível da perda e detecta o comprometimento da audição.
 
A audiometria é uma das avaliações mais comuns. É um exame seguro, cômodo e indolor.
 
O paciente deve responder algumas perguntas sobre a sua audição, identificar palavras em diferentes níveis de volume e reconhecer alguns sons.
 
"O resultado é registrado no audiograma e analisado pelo médico, que irá determinar o melhor tratamento", acrescenta.
 
Por: Luiz Antonio Messora – Gerente de Relacionamento

 
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